É surpreendente o fato de como as letras de uma música de axé podem ser inspiradoras. Sim, verdadeiros poemas líricos. Mais revigorante que apreciar a melodia e seu ritmo contagiante é pagar trezentos reais para assistir à um espetáculo de axé repleto de pessoas bonitas e educadas (of course).
Dia desses fui a um desses eventos, o Pub Folia. Contrariando minha natureza anti-psiricana, decidi que só poderia ter uma opinião concreta a respeito de micaretas se estivesse presente em uma delas. Poderia até ser divertido, afinal.
Logo quando cheguei e inseri-me àquele formigueiro humano, senti uma mão puxar-me pelo braço e a seguinte frase: "Gata, vem cá, me dá um beijo". O que este ser esperava que eu respondesse? "Claro, querido estranho, não te conheço, mas por mim tudo bem!" Me poupe, né? Quinze minutos de festa e era necessário andar com a mão cobrindo a boca.
Depois de escutar de um desconhecido que eu era a pessoa mais desanimada do Pub Folia, percebi que nunca havia me sentido tão deslocada em um lugar como estava naquele momento, primeiro porque não sabia dançar UMA música (apesar de que aprender a cantá-las era ridiculamente fácil), depois porque não suportava aquelas pessoas roçando umas nas outras e pulando como se pudessem alcançar a Lua.
Nunca havia visto tanto mafioso, barrerado, favelado, bêbado e bandido espremidos em um lugar só. E muita, muita gente absurdamente feia. A impressão que tive foi a de que todos aqueles cidadãos aguardaram em suas casas ansiosamente (e na seca) pelo grande dia em que pudessem extravasar. Quando digo extravasar, me refiro a descarregar energias dignas de cachorros no cio e a partir daí, beijar a boca nojenta de qualquer ser que se mova ou rasteje. Lá estava o antro dos desesperados, das pessoas que não conseguiam pegar nem resfriado em dias normais e corriqueiros.
E o que diabos são aquelas danças? Passinhos milimetricamente ensaiados, mão na cabeça, dois pulinhos pro lado, mão no joelho e uma abaixadinha... Sem contar os cantores que rebolavam e rebolavam como se estivessem entre os dez mais sexys e disputados da Forbes, e as mulheres que esgoelavam como se a qualquer momento pudessem ter um ataque epilético (¬¬').
Vale mencionar que fui dormir com um zumbido insistente na orelha que repassava os refrões das músicas repetidas vezes e não parava nem com uma travesseirada na cabeça.
Ao final da minha aventura, pude concluir três valiosos conselhos a respeito do Barrero-Folia e eventos semelhantes: 1º- Faça o máximo para não ir a uma dessas micaretas; 2º- Se for pirraçar e insistir em ir (como eu fiz), arranje dinheiro e vá de camarote. 3º- Assim que ouvir o cantor gritar 'QUERO TODO MUNDO INDO PRA DIREITA', não vá pra direita. Nem pra esquerda. Fuja.
E é isso aí. Bota a mão na cabeça que vai começar o rebolation, tion...
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