Alguns dias me desanimam, às vezes me fazem até pensar em desistir de algumas coisas. Em alguns dias eu vejo com mais clareza sobre a quantidade de pessoas que enganam o próximo, quando, na verdade, enganam à si mesmas. Alguns dos meus dias vem em forma de indignação: o que está acontecendo com todo mundo? Será que ninguém percebe que o mundo virou de cabeça para baixo? Será que alguém pode ver o que eu vejo? Eu vejo regresso em quem se acha esperto demais, eu vejo tristeza nos olhos de quem faz questão de anunciar que tem uma vida invejável, eu vejo o desespero acumulado debaixo do tapete dos super autoconfiantes...
Alguns dias me despertam a vontade de subir no lugar mais alto que eu pudesse alcançar e gritar: ACOOOOORDEM! Saiam de suas bolhas artificiais, olhem pra outro lugar que não sejam os seus próprios umbigos, libertem-se da hipocrisia, da maldade e de suas capas de gelo!
Alguns dias me fazem querer ter o poder de mudar o mundo, ou mudar-me dele. Há dias em que penso tanto no quanto tudo poderia ser diferente que até me desloco do que acontece ao meu redor. Para quem acha que eu viajo demais, eu confirmo. Viajo, viajo muito, mudo minha órbita, que é pra não ter que me igualar a quem a realidade já alienou, que é pra não me tornar escrava de mim mesma.
Alguns dias são como um balde de decepção encharcando o meu corpo. Mas alguns dias são melhores que os outros. Alguns são inesquecíveis. São esses dias que renovam o meu fiapo de esperança. E é por esses dias que eu ainda vivo.