sábado, 31 de julho de 2010

Entre Meias Verdades

   Se eu saio, saio demais. Se fico em casa, por que só fico no meu quarto? Se estou sem estudar, eu deveria tomar vergonha e pegar meus cadernos. Se estudo muito, eu tenho que dar uma trégua e descansar. Se descanso, estou muito à toa. Se durmo cedo, eu provavelmente estou doente. Se vou dormir tarde, é vício em internet. Se tento conversar, estou falando demais. Se fico quieta, é porque sou indiferente e não ligo a mínima pros problemas dos outros. Se quero ver meus amigos, significa que só penso neles. Se quero ficar sozinha, sou anti social. Se eu abraço, tá calor demais. Se não abraço, sou grossa e insensível. Se penso em me divertir, estou incomodando e dando trabalho. Se não penso em nada, é porque eu deveria agir, sou muito morta, infeliz. Se fico chateada, certamente estou me fazendo de vítima. Se não fico, é porque sou fria o suficiente pra não me comover...
   "Cadê você, menina? Onde está você?"  Eu estou aqui. A mesma de sempre. Eu sou a mesma pessoa que fazia penteados malucos em seu cabelo e que chorava por um vestido de quadrilha. Eu sou a mesma pessoa que brincava o dia inteiro e tinha medo de dormir sozinha. Eu sou a mesma que gostava de imitar as danças da minha irmã e tinha uma coleção de revistinhas Turma da Mônica. Eu sou a mesma que fazia poemas em papel chamex e acordava todos os dias sonâmbula no meio da noite. O tempo passou meio desconcertado, meio sem jeito, mas eu sempre estive aqui. A única diferença agora é que não me interesso por todas as mesmas coisas, não visto as mesmas roupas e não penso do mesmo jeito. Eu cresci. E, ao contrário do que você pensa agora, eu não me tornei egoísta. Que bobeira pensar assim... Egoísta é aquele que é egoísta o bastante pra apontar o egoísmo nos olhos dos outros. E, se quer saber, você não sabe o quanto me importo...

(Ah, se você soubesse o quanto eu te amo...!)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Sinal de Alerta

   Foi difícil quando o vi pela primeira vez. Toda aquela fumaça impedia a minha visão. Foi preciso comprimir meus olhos numa linha apertada para enxergar o vulto que vinha em minha direção. O cabelo curto e as curvas grosseiras não me deixaram duvidar de que se tratava de um homem. Mas por que ele estaria ali? E por que caminhava até a mim? Não era nada disso que eu deveria questionar. A pergunta certa é: como ele também sobreviveu? Era muito fácil deduzir o porquê de ele estar avançando até a mim, porque ele provavelmente também é uma alma perdida, ele também não sabe o que fazer, ele também enfrentou o maior pesadelo de sua vida. O sol queimava acima de nossas cabeças e o ar seco e parado entrava com dificuldade em meus pulmões.
   A Destruição havia se concretizado em um dia cotidiano de meio de semana, logo quando pessoas em todo o mundo saiam para trabalhar, levavam suas crianças à escola ou tomavam seus cafés da manhã. A Destruição veio sem avisos prévios, apenas veio. Veio furiosa e de uma magnitude tão grande que só quem presenciou, só quem sentiu na boca o gosto da poeira e do asfalto, poderia descrever com exatidão.
   Eu era a sobrevivente, eu e este rapaz misterioso que agora pára em minha frente e me olha como se eu fosse a resposta para todas as suas perguntas.
  — Você sobreviveu. - ele afirma o óbvio - Não posso acreditar que você também está aqui. E como poderia? Por todos estes anos caminhando sozinho, minhas esperanças de que pudesse existir mais alguém eram praticamente nulas.
  — As minhas também. - respondi meio sem graça, após notar o quanto ele era bonito à sua maneira, e tinha traços marcantes, e tinha a voz decidida, e tinha... Interrompi meus pensamentos e procurei afastá-los para concentrar-me em meu primeiro diálogo após a Destruição.
  — Como você sobreviveu? - ele me perguntou aquilo que deveria ter sido perguntado por mim.
  — Eu ouvi um sinal. Um sinal de alerta. Primeiro pensei que estivesse ficando louca... essas coisas não existem. - esperei que ele me perguntasse que tipo de sinal era esse, mas ouvi o inesperado.
  — Eu também ouvi. - respondeu pausadamente, como se tivesse acabado de receber algum tipo de revelação - Acha que fomos os únicos?
Como eu poderia saber?
  — Não há como saber, a não ser que procuremos. O que sei é que o mundo é grande demais para apenas duas pessoas. - olhei em seus olhos, como se pudesse fazê-lo entender de que esta era minha única certeza no momento.
  — Você tem razão - entendeu ele - Se estamos vivos, não acredito que seja por acaso. Não acredito que o sinal tenha sido por acaso. Se estamos aqui, o justo é nos unirmos para procurar outras vidas que, provavelmente, devem estar tão perdidas quanto estávamos antes de nos encontrarmos. E, à propósito, meu nome é Marcos. - acrescentou, estendendo a mão para que eu o cumprimentasse.
  — Beatriz. - dei um sorriso de canto enquanto apertava a mão dele por mais tempo que o previsto, como se aquele gesto marcasse o início daquilo que seria nossa união, nossa equipe, o início de uma jornada pelo mundo à procura de vida humana: os Buscadores da Vida.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

TOP FIVE!

A palavra do dia é irritação. Estou irritada. Qualquer atitude irrelevante realizada por qualquer pessoa (até por mim) me deixa irritada. Estou mal humorada, rabujenta, carrancuda, velha, reclamona, impaciente, mala e todos os outros adjetivos irritantes que possam existir. E é com essa paz de espírito radiante e essa vontade de sair correndo, pulando e saltitando em um campo repleto de flores coloridas, que dou início ao meu segundo TOP FIVE sobre coisas irritantes e que me dão vontade de vomitar.

5º lugar: De uns tempos pra cá surgiu um tal de "famílias" do orkut. É o seguinte: você tem um grupo de amigos próximos e resolve criar um "sobrenome" para os membros do grupinho, fazendo com que cada indivíduo tenha que utilizar o sobrenome em seus respectivos orkuts. Hahahaha, só pra rir meeeeesmo. Me responde uma coisa: por um acaso essa é sua família? Não, sua família provavelmente está na sua casa. "Ah, mas eu considero meus amigos como minha família". Tudo bem que você os considera assim, mas eles SÃO? Eles batizaram você? É seu pai, sua mãe? Não, né? Então pronto. Deixa de antipatia e, se for pra colocar sobrenome, coloca o seu de nascença. Depois você vai e manda um depoimento pra cada um de seus amigos falando o quanto os considera como família. Simples :)

4º lugar: O quarto lugar de hoje vai para as pessoas que ultimamente andaram usando algumas palavrinhas antipáticas em seus perfis no orkut ou conversinhas otimistas. Eis as palavras: POSITIVIDADE, ENERGIA e VIBRAÇÃO. Separadas, podem até passar a idéia de que são inofensivas, mas não se deixe iludir, meu bom amigo... Observe a junção destas palavras em duas frases e tire você mesmo suas próprias conclusões:

Orkut
Quem sou eu: "Tenha positividade, deixe as energias positivas fluírem e você atrairá só boas vibrações"
(bandeirinha do reggae embaixo)

Pra mim existem duas opções: Ou a pessoa faz uso de substâncias ilícitas e dedica seu tempo livre à produção de erva, ooooou é filho de Bob Marley.

Outro exemplo é o trecho da letra de uma música de Forfun:
"Perto de toda positividade, a onda boa se propaga no ar"

(MOOORRE.)

3° lugar: o terceiro lugar tá bad. TÁ BAD?! Que gíria é essa, senhor? Eu tava tão feliz com minha raivinha restrita por "é nui", "é mato" e "é osso"! Tem "tá bad" também? Você encontra um amigo na rua que não conversa há tempos e, gentilmente, pergunta ao indivíduo como ele está. Eis o que o meliante responde: "Ah... to bad, viu!" Qual a sua primeira reação? Claro que é deixar a pessoa no vácuo e correr desesperadamente por quatro quarteirões, depois pegar uma 38 e se matar. Óbvio!

2° lugar: Eu sei que agora tudo é Twitter e sei também que você basicamente vive com o único objetivo de contar cada passo seu no Twitter, porque, afinal, não iria deixar seus followers roendo as unhas de ansiedade por não saber o que aconteceu em sua aula de academia. Fique à vontade pra interagir, mandar mensagens instantâneas e dedicar sua vida ao Twitter, mas, por favor, quando for dizer que vai mexer em seu Twitter, não fala que vai "DAR UMA TWITTADA". Pode falar que você tá postando, colocando ou escrevendo algo em seu twitter, mas não vem com essa de que tava "twittando". Essa palavra não provoca nenhuma reação alérgica em você? Não te dá vontade de cavar um buraco bem fundo e entrar nele? Se isso não te afeta também, ou você não é normal ou eu e meu primo Felipe temos algum tipo de distúrbio da antipatia.

Conversinha casual no msn:

Cleidson diz:
eaaae marcinha, tá fazendo o que aí?
Marcinha 100% eu *flaah, te amoo!* diz:
aaah, clei, to aqui fazendo o de sempre... twittando, hahaha.
Marcinha 100% eu *flaah, te amoo!* diz:
hahaha (:
Cleidson diz:

* Cleidson parece estar offline. As mensagens serão entregues quando esse contato entrar *

1° lugar: O primeiríssimo lugar vai para os adoradores E odiadores radicais das bandas Cine, Restart e todas as suas derivações.

Para os que amam: quê isso, meu filho? Como você é capaz de gostar de uma porcaria dessas? Tudo bem que eles usam roupas ridículas e tem um comportamento ridículo, mas se pelo menos eles SOUBESSEM cantar...! Eles não cantam! EU canto melhor que eles! Ah, que saudade dos emos sensíveis com roupas pretas e letras melosas de outrora...

Para os que odeiam radicalmente: gente, vocês não precisam falar que odeiam esses "cantores" 24 horas ao dia... vocês não precisam usar camisetas "morte às cores"... vocês não precisam fazer vídeos revoltados sobre o quanto o ódio por tais bandas percorrem suas veias e te dão vontade de matar as 3 primeiras pessoas que passarem por vocês! Vocês tem a OBRIGAÇÃO de não gostar, simplesmente porque é RIDÍCULO. Não se sintam superiores por terem o bom senso de depreciar tais músicas! Você odeia Cine, odeia Restart, odeia Justin Bieber e é isso. Seja feliz e assunto encerrado.


E, pra finalizar, desejo à você toda a positividade do mundo e espero que não fique bad com os problemas da vida... se tiver mesmo se sentindo sozinho, entra pra minha família que lá a gente escuta Restart o dia todo pra ninguém ficar desanimado, ok? Ou quem sabe você pode dar uma twittada pra desabafar... :)

sábado, 10 de julho de 2010

Sentença

E, assim, do nada,
o semblante torna-se triste,
o traço enrigece,
gasta-se o gosto.
Em meio ao espetáculo, cala-se o músico.
A música,
a fala,
a foto
e o resto.
O rosto estampado em todas as paredes,
parado,
distante,
exposto.
Espinhos espalhados castigam o corpo.
Caminhos alternativos surgem e se chocam em contra-mão.
Mãos sujas,
culpadas,
trêmulas.
Tramas sem direção divagam a procura de respostas.
Respingos se espalham e atingem o espelho.
Exibe-se o reflexo pálido,
cansado,
mudo.
Mudam-se as vítimas:
o assassino é o mesmo.
Meses passam em piloto automático.
Automóveis correm em direção contrária.
O errado torna-se vício.
O crime, sobrevivência.
Erram-se os dias,
somem as chances.
Faltam as palavras.