O ano começou sem muitas expectativas. Meio arrastado, tropeçando aqui e ali, prometendo ser mais um daqueles anos em que se quer viver, mas não se vive. Logo no início do ano, prometi que não faria mais promessas. Há coisa mais deplorável que prometer e não cumprir? Um dia eu "prometi que iria estudar mais", "prometi que voltaria" e "prometi que esperaria alguém voltar", como se fosse me dado o dom de prever o futuro. E de promessa em promessa, comecei a perder a credibilidade das minhas palavras. Então percebi que há uma linha tênue entre uma promessa e um sonho e é necessário saber distingui-los. Prometi como se sonhasse e sonhei fazendo promessas, quando, na verdade, promessas são certezas e sonhos, possibilidades.
Fevereiro passou devagar, buscando respostas às perguntas que me atormentavam. As pessoas ao meu redor perdiam-se em teorias e meios para entender as minhas atitudes. Mal sabiam elas que a mais perdida era eu e que cada uma das minhas contradições representava uma tentativa desesperada de me encontrar. É interessante perceber como tudo parece mais exagerado quando estamos na função "expectador" ou quando relembramos um momento difícil. Quando disse que nunca iria superar, que nunca iria voltar ao normal, quando disse que nada mais fazia sentido, era como se aqueles dias estivessem destinados à existir para sempre e não houvesse saídas palpáveis. Obviamente não foi o que aconteceu. Logo no início de Março, eu deixei algo bom escapar. Eu e a minha insistência em afastar as pessoas. Equívocos continuavam a acontecer, uma ou duas vezes a mais que no mês anterior. Eu queria apenas estar, fazer e não esperar as consequências, fechar os olhos e não me importar. Entre um errinho e outro, descobri a estupidez em tentar entrar em uma roupa que não me serve mais ou persistir em abrir uma porta trancada à sete chaves. Às vezes o problema simplesmente não está em você. Abril chegou mais tranquilo, mais adaptável. Percebia o maior peso da minha vida dissipar-se aos poucos diante dos meus olhos. Lá pro meio do mês, pude ter a sorte de viver o mesmo "algo bom" de Março e, desta vez, não deixei que passasse. Depois que se vive algumas (poucas) experiências ruins, fica mais fácil reconhecer quando algo realmente bom nos acontece. A partir daí eu vi tudo mudar: as pessoas me pareciam mais agradáveis, cada minuto era vivido com prazer e, o principal, eu havia finalmente me encontrado. Em Maio vieram alguns problemas, problemas estes que eram sempre resolvidos no máximo dois dias depois. Eu não havia só voltado ao normal: voltei ao normal e voltei melhor. Me dei conta das pessoas incríveis que tive (e tenho) a oportunidade de conviver, pessoas de valor, providas de um coração enorme. Junho e Julho e eu estava mais forte. Notava o choque de comportamento e maturidade que sofri de um ano para o outro (quando se fala da própria vida, as palavras ganham um tom de egoísmo inevitável). Passou a ser tudo mais fácil e menos exagerado, era como se a solução estivesse o tempo todo estampada na minha cara e eu só conseguisse entendê-la um tempo depois. O incômodos foram embora, acompanhando os fantasmas que me atormentavam. A partir de Agosto, tive o prazer de viver os melhores meses da minha vida. Eu aprendi a não reprimir minha personalidade e tive a sorte de estar com pessoas que me deixassem à vontade, pessoas sinceras e facilmente incríveis.
Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro. Aprendi a me divertir sem me sentir prejudicada e vivi cada instante tão intensamente, e descobri tantas sensações novas, e fui tão eu mesma, que cada erro que cometi e cada situação difícil que passei passaram a valer também como contribuintes para que este ano, o ano de 2010, fosse o melhor ano da minha vida. Termino o último dia do meu ano com a certeza de que nada poderia ter sido diferente. Termino o meu ano sabendo que não tenho raiva de ninguém, não devo nada à ninguém e nunca tive a intenção de prejudicar ninguém. Termino o meu ano sendo mais tolerante, menos preocupada e mais segura.
Não peço e não prometo nada para o ano que vem, que ele venha da maneira que Deus achar que deve vir:
EU ESTOU PRONTA.


