terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Top Five

Hoje estou aqui para fazer um TOP 5 das coisas que me deixam extremamente indignada e/ou irritada. É apenas o que eu penso, portanto, se qualquer um sentir-se inserido ou for praticante ativo de algum dos tópicos, é mera coincidência.

Vamos à lista:

Em 5º lugar: Pessoas que tem 345 fotos no álbum do orkut, e das 345, 344 são exclusivamente para "ressaltar" supostos atributos corporais (inexistentes, na maioria das vezes). Vulgarmente falando, pagar de gostosa. Juro que não sou contra a colocar alguma foto de biquíni, descontraindo na praia e tudo mais, mas ter praticamente todas as fotos apelando para o nudismo, aí já é demais. Isso é feio, irritante e digno de indignação. Sem falar nos 200 comentários (a maior parte deles de homens) em que escrevem: "Nossa, gostosa demais, uau!". O que me deixa com raiva nem é o tipo do comentário, mas o fato de a pessoa encarar uma falta de respeito dessas como elogio e ainda colocar uma risadinha logo abaixo, agradecendo aos milhares de fãs.


Em 4º lugar: A falsidade no orkut. Sério, é irritante. Pessoas que assumem um relacionamento via orkut, depois recebem do(a) namorado(a) scraps em cores vibrantes, cinquenta depoimentos e ainda têm o seu 'quem sou eu' invadido com as três músicas que embalam o romance. Quase ia me esquecendo do "pra sempre" que costuma aparecer nessas declarações. Uma semana depois, você resolve olhar o perfil do(a) fulano(a) e lá está estampado, pra qualquer um ver: 'solteiro(a)'. Logo acima, na descrição, algo do tipo: "A fila andou e figurinha repetida não completa meu álbum". COMO ASSIM?! As promessas de amor divulgadas se perderam em algum lugar da Via Láctea? Me poupe.

Em 3º lugar: Ouvir a todo tempo que sou lerda. Há pouquíssimas pessoas (pessoas nas quais não me recordo no momento) que nunca me chamaram de lerda. Tá certo, eu sou meio lerda mesmo, ando devagar, raciocino devagar, danço devagar, ajo devagar, tenho uma alta capacidade para me distrair e costumo viajar no que penso. Enfim, sou uma pessoa lenta, o que não implica que sou burra. Entenda como uma condição de existência, certo?


Em 2º lugar: Por que tudo é MATO? Amor é mato, atividades escolares são mato, o programa de TV que passa no SBT é mato, até as cutículas do pé do meu pai são mato! E por que eu escuto/leio essa gíria 345 vezes por dia? Sério, eu prefiro ouvir um emocore sussurrando no meu ouvido palavras começadas, terminadas e formadas pela letra X a ter que aturar o jovem em cena repetindo as gírias maneiras do momento a cada dez segundos ¬¬' Não preciso nem falar do 'É NUI', certo? Acho que isso já está implícito no tópico, por se tratar de gírias antipáticas.


E como nos foi ensinado que os últimos serão os primeiros, aí vai o 1º lugar do meu Top Five: Pessoas que não expressam opiniões por medo da rejeição, levando mais em consideração o que os outros pensam ao invés de valorizar o seu próprio modo de enxergar as coisas. Na verdade, eu não gosto de quem concorda comigo só pra ser bacana. Se concorda, é porque realmente compartilha a mesma opinião e não porque tem medo de dizer o contrário. Por mais estranho que possa parecer, as pessoas que mais amo são as que discordaram de mim justamente quando pensei que só eu poderia estar certa. Na hora talvez eu não entenda, mas depois me dou conta do quanto isso é importante. Em outras palavras, é o que costumo chamar de sinceridade.


E já que estamos falando disso, não seja um lerdo por esquecer de comentar na minha foto do orkut e me mandar um depoimento dizendo que me ama, porque você sabe: é nui sempre, parceria aqui é mato e sua opinião é a minha opinião!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Delírios

   A noite estava calma. Era possível ouvir a chuva caindo fina e o vento soprando leve, formando a música que descansava o meu espírito enquanto a rede balançava no mesmo ritmo. Era impossível resistir à tentação de fechar meus olhos e concentrar meus pensamentos em um lugar distante, bem longe dali.
Transportei-me para onde o instinto me mandava ir. A sincronia entre o vento e a chuva continuava lá, mas eu não estava mais sozinho. Pude perceber a Lua sendo substituída por um dia nublado, com uns poucos raios de Sol e a brisa fria, contradizendo nossas roupas de verão. Eu estava deitado, com os braços esticados e as mãos por trás da cabeça, tentando suprir a falta de um travesseiro. Nada me incomodaria ali, principalmente porque a pessoa na qual eu queria estava deitada embaixo da maior árvore, sob a grama verde e olhando em minha direção enquanto eu olhava para o céu. Estávamos ali, um ao lado do outro, compartilhando o mesmo silêncio. Quando resolvíamos conversar, ela ria sempre do que eu falava e fazia questão de repetir o quanto era engraçado. E eu escutava suas histórias que relatavam sonhos de noites passadas, prestando muita atenção, não ao que ela dizia, mas o jeito com que falava. Então confirmei o que já sabia há tempos: ela era a única pessoa que poderia me fazer sentir completo.
   O som da sua voz era tão real que me recusei a acreditar que era apenas a minha imaginação. Não poderia ser, ou melhor, eu não queria que fosse. Assustei-me com o barulho de um trovão e abri os olhos. Levantei-me e sentei na rede. A chuva havia engrossado e era preciso entrar em casa, mas meu corpo não se movia. Eu estava preso ao meu sonho e quase podia ouvir os passos dela caminhando pela varanda com seus chinelos de borracha. Meus sentidos insistiam em tentar me enganar, mas eu sabia que ela não estava aqui. Deixei que as gotas frias de chuva percorressem meu corpo, enquanto sussurrava o pensamento que me atormentava todos os dias desde que ela se foi: "Deus a roubou de mim e levou consigo minha alma".

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Papai Noel em Crise

   É Natal. Nesta época costumo ficar um pouco mais fragilizada, e é assim desde que deixei de acreditar em Papai Noel para descobrir que ele é apenas mais uma jogada comercial. Com todo respeito a quem não pensa como eu, devo constar que não vejo nada de mágico no "bom velhinho", primeiro porque não acredito que a magia esteja necessariamente ligada à mentira, e neste caso, o Papai Noel além de ser uma mentira, carrega uma dose exagerada de sensacionalismo. Depois porque ele camufla todo o propósito do natal, que é o nascimento de Jesus e a confraternização entre as pessoas. As crianças (principalmente elas) esperam ansiosas pelo Natal para receberem seus brinquedos de última geração e depois contarem vantagem aos amiguinhos. E depois disso ainda insistem em dizer que é saudável que elas acreditem no Noel e em todas as mentiras que o cerca. Acreditar em contos de fadas traz esperança; acreditar em monstros escondidos debaixo da cama, traz, com o tempo, a coragem. Mas acreditar em Papai Noel não traz nada além do engrandecimento do capitalismo. Ganhar presentes deveria ser apenas uma forma de confraternização saudável e não ser colocado como prioridade. O pior é que ainda há quem valorize acima de Jesus, a figura do Papai Noel.
   Deixando um pouco tudo isso de lado, quero dizer algo. Todo natal, quando o ponteiro do relógio sinaliza a meia-noite e minha família está de mãos dadas, rezando, posso sentir a presença de Deus ali, tão intensamente que é como se fosse o único momento de paz em um ano todo, e que apesar de breve, me faz lembrar da sorte que tenho de estar viva e da sorte maior ainda que tenho de viver uma única vez.
Enfim, se em uma noite de Natal você estiver passeando pelas ruas e encontrar com Papai Noel, diga que mandei avisá-lo que o enganaram covardemente: não é ele o rei.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sem acentos

   Meia noite e quarenta. A janela semi-aberta do quarto sopra um vento fino, batendo levemente sob as persianas pretas. Se estivesse em casa, talvez iria na cozinha procurar algo pra comer. Posso ouvir a televisao conversar baixinho e um carro que passa pela rua com um som alto, tao velozmente que nao fui capaz de identificar a musica. Ouco tambem dois velhinhos roncando no quarto ao lado. Nao me incomodo com o barulho, porque sei que encontram a paz enquanto dormem e, merecidamente, suas decadas de vida precisam descansar um tempo. Sei que preciso dormir, logo alguem se incomodara com a lampada que deixei ligada por medo do escuro. Acontece que hoje vi um filme de terror, e lembro-me bem de ter dito na hora: `nao me incomodo se nao conseguir dormir a noite, eu dou um jeito`. Certamente o argumento pareceu-me cabivel naquele momento. Enquanto nao durmo, penso. O pensamento me atrapalha seriamente quando vou dormir e meu sono precisa ser persistente para vence-lo aos poucos. Ouco mais roncos. Por um momento pensei em contar a historia do filme, mas isso me traria pesadelos depois. Prefiro citar apenas o nome, para quem quiser assistir qualquer dia (nao assista a noite): REC.
Agora a pouco tentei mudar o canal da TV e acabei aumentando o volume. Acho que tenho um serio problema com controles de televisao, eles nunca me obedecem. Espero que ninguem tenha acordado. Eu realmente preciso dormir, apesar de que o quarto pra onde vou nao tem televisao e nenhum outro meio para fixar-me a realidade. Estaremos eu e a minha enorme capacidade de imaginar babaquices. Amanha, (na verdade hoje) quando acordar, tenho certeza que rirei disso. Eh melhor eu ir, sao uma e cinco da manha. Boa noite.

(Nao consegui encontrar acentos neste computador e a c cedilha esta quebrada. Contente-se.)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Algo sobre dúvidas e distância

   Ando curiosa pra saber como será o ano que vem. Talvez pelo fato de eu ter pouquíssimas certezas (e não me venha com essa de que o futuro é incerto). O futuro pode até não ser certo, mas é deduzível. E por mais que tente, não consigo pensar em nenhuma dedução para o ano que vem. De certa forma, o fato de não saber o que está por vir me entusiasma. Mas, por outro lado, vejo que as oportunidades (ou pessoas) para me desligar do que acontece ao meu redor diminuíram e terei que me distanciar das pessoas nas quais encontrava sustentação. Desesperador, porém interessante (interessante nem sempre é algo bom). Talvez seja melhor para que eu aprenda a me virar sozinha algumas vezes, e, acredite: já obtive algum progresso nisso antes mesmo do ano novo. Houve um tempo em que acreditei que a distância levava ao desapego, e até escrevi algo sobre isso:

'A distância é irônica. Primeiro, ela se faz amiga, trazendo a saudade e a vontade de estar perto, até pensarmos que a distância mais nos aproxima que nos separa. Depois, ela mostra suas várias faces, nos apresentando a angústia, solidão, e por fim, a indiferença. Com o passar do tempo, nem lembraríamos mais se algum dia aquela pessoa significou ou foi especial. A distância destrói promessas de amor eterno, acaba com amizades que antes pareciam indestrutíveis e nos obriga a seguir em frente. Ouso afirmar que a distância é um ciclo vicioso, em que sempre que perdemos alguém, tendemos a procurar outras pessoas, que vamos nos afastar depois. Contudo, o afastamento também nos traz reflexões, nos faz questionar se aquele alguém foi realmente importante, se precisamos tanto dele quanto julgávamos antes. E com a distância, surge o mais ríspido e solitário dos sentimentos: o desapego.'
 
   Hoje percebi que não é bem assim. Pelo menos não com quem a gente ama de verdade. De qualquer forma, a única coisa que espero é estar preparada para saber distinguir as pessoas especiais (mesmo com a distância) das que realmente merecem o meu desapego.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O observador







Ela era comum. Não um comum desinteressante, mas com certeza não seria capaz de chamar atenção em meio a uma multidão. Na primeira vez em que a vi, ela estava do outro lado da rua, com o semblante preocupado, pensativo, como se procurasse resposta a um turbilhão de perguntas. Não pude deixar de reparar em seu jeito de caminhar, destrambelhado e alarmado, esperando o momento em que tropeçaria em uma pedra. Baixa, cabelos escuros presos a um rabo-de-cavalo e um vestido colorido, um tanto infantil para seus 16 adolescentes anos (confirmei a idade após um tempo). Não era muito magra, mas parecia que o vento a levaria em seu primeiro sopro.
Perdi-me diante a uma garota aparentemente normal, mas para mim, havia algo peculiar. Meu olhar a acompanhou atravessando a rua movimentada e caótica do centro da cidade e entrando em uma loja de chocolates. Engraçado como a maioria das jovens opta por fugir de lojas como essa, com medo de engordar alguns gramas insignificantes; mas aquela garota parecia não venerar dietas malucas. Como todo bom observador, eu queria saber mais, eu precisava saber mais.
Resolvi segui-la e entrar no armazém de doces. No início senti-me um daqueles homens obcecados, quase um psicopata. Ri por dentro imaginando-me em um filme de perseguição. Depois me convenci de que não me tornaria mal por analisar um pouco mais aquela menina.
Por fim, entrei na loja. Ela estava ali, a poucos metros de mim, procurando algumas porcarias para mastigar em casa, imaginei. Meu olhar fixou-se nela, como se estivesse vendo a cena crucial de um filme. Pra minha surpresa, ela virou-se e olhou em minha direção, percebendo que eu a encarava. Foi a primeira vez que nossos olhares se encontraram. Minha pupila cresceu e prendi a respiração por alguns segundos. Então ela desviou o olhar, voltando sua atenção aos milhares de doces à sua frente. Expirei devagar. O que eu estava fazendo?
Procurei ordenar meus pensamentos, insistindo a mim mesmo de que não deveria perder meu tempo observando uma típica garota comprar doces, fissurado em tentar adivinhar seus próximos passos. Saí da loja pertubado. Caminhei apressadamente e peguei o primeiro ônibus que parava a duas esquinas do meu apartamento. Eu precisava de um banho. Sempre quando me acontece algo que não se encaixa em meu cotidiano, penso em tomar banho. É como se a água pudesse carregar todas as minhas preocupações e jogá-las no ralo. Bobagem de um cara que não sabe enfrentar a vida.
Chegar em casa depois de um certo tempo fora me deixa feliz. O apartamento, mesmo que não seja dos melhores, é só meu. Nele eu posso ser quem sou sem rótulos e (pode parecer estranho) sem roupa.
Fui direto ao banheiro e tomei um banho. Nada aconteceu. Apesar de estar limpo agora, continuava com os mesmos pensamentos de mais cedo. Maldita água. Liguei a TV. Acabei deixando no canal de esportes, em uma partida de golfe. Sempre acompanhei os campeonatos, mas hoje estava cansado demais para me concentrar no jogo. Meus olhos pesaram como um chumbo sob meu rosto e decidi dormir ali mesmo, no sofá.
Antes de adormecer por completo, imaginei a garota do vestido infantil batendo em minha porta com toda a graciosidade que sua idade lhe permitira. A campainha tocou.
Levantei-me e sentei no sofá. Procurei afastar a idéia ridícula de uma menina desconhecida na entrada da minha casa, sem sequer saber meu endereço. Às vezes minha imaginação é surpreendente. Arrastei-me da sala mal-humorado e fui ao quarto vestir uma bermuda (não seria muito racional um homem nu atender a campainha). Antes de olhar através do olho-mágico, deduzi que fosse o carteiro, ou a vizinha do 315 reclamando de alguma goteira que saíra do meu apartamento direto para o dela. Antes fosse.
Abri a porta e deparei-me com um silêncio quase que ensurdecedor. Não havia ninguém ali, a não ser a presença do sistema automático que iluminava os corredores do prédio quando alguém estivesse neles, no meio da noite. Corri o olhar para todos os lados. Nada. Um frio na barriga apoderou-se de mim e percorreu um caminho até a garganta.
A única evidência de que alguém esteve ali era um laço lilás de cabelo no tapete de entrada do meu apartamento. Eu não poderia ter certeza de quem seria, mas pude ouvir uma voz que ecoava do meu subconsciente enquanto meu coração parecia sair pela boca: era dela.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Wake Up

Aprender a conviver com algumas condições que a vida impõe é algo difícil. Mais difícil ainda é perceber e aceitar que as pessoas mudam de tal forma que ficam cegos diante da verdade. Não me refiro a pequenas mudanças, como passar a frequentar outros lugares ou trocar seu pôster do Coldplay por um do Fresno (ridículo, porém aceitável). Mudança, de certa forma, pode ser algo bom pra nos fazer progredir ou aprender que mudar foi errado e a partir dessa consciência, saber voltar atrás. O que eu custava acreditar é na mudança da alma. Mas, por fim, fui vencida. Não poderia mais correr da máquina de mentiras que o mundo é. Abri os olhos, fiquei insatisfeita e indignada. As mentiras de todos são a verdade da vida. Aprendi a aceitar isso, mas não o suficiente para acreditar que um dia as pessoas irão aceitar quem realmente são. Talvez percebam no próximo minuto. Ou um minuto antes de morrer.

sábado, 5 de dezembro de 2009

O Tudo de um Pouco

   Prefiro a oposição. Prefiro gostar de coisas que poucos se interessam. Prefiro dar atenção às pessoas que me fazem sentir bem. Prefiro a educação, os velhos princípios, o ombro amigo. Prefiro o cavalheirismo, a individualidade, a surpresa. Prefiro as conversas interessantes. Prefiro não subestimar ninguém. Prefiro os dias de sol, os amigos verdadeiros e os finais de semana. Prefiro livros de ação e filmes de romance. Prefiro o silêncio quando não se tem o que falar. Prefiro ser feliz com o mais improvável possível. Prefiro surpreender para não cair em ócio. Prefiro nadar em dias chuvosos. Prefiro amar. Prefiro ignorar as opiniões infundadas e abstrair os comentários mais maldosos, apesar de ser difícil. Prefiro menos cobrança, mais compreensão. Prefiro esquecer com facilidade, principalmente quando o assunto não me interessa. Prefiro estar perto de quem tem conteúdo. Prefiro segurar a raiva e guardar meus motivos, pra obter razão se acaso me descontrolar. Prefiro não exigir das pessoas. Prefiro aprender com meus erros e ensinar com eles. Prefiro a tranqüilidade, mais palavras amáveis e menos grosseria. Prefiro caminhos longos porque são gratificantes no final. E prefiro não fingir ser alguém que não sou.