sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Com(a) o Medo

  "De repente, ela era uma peça mal encaixada. De repente, ela teria que se encaixar." Um dia a moça acordou e percebeu. Eram sete horas da manhã. O início de um dia que decidiria o final de uma espera. Claro que havia muito o que fazer. Claro que a partir do momento em que ela se levantasse da cama, não teria mais volta. Ela teria que enfrentar. Preparada ou não, disposta ou não, feliz ou não. Deixou-se levar pelo vento e agora sofria as consequências do frio. Tinha medo. O fracasso está há algumas horas dali. O sucesso também. Um pouco de sorte ela tinha e talvez fosse esperta na hora certa. Conhecia alguns dos seus conhecimentos mal acabados. Por todas as expectativas jogadas sob sua cabeça, ela sentia o peso. E doía. Não era o medo do fracasso individual, era o medo do fracasso perante os outros. Ela queria, do fundo da alma, que o mundo enxergasse o que ela secretamente sempre soube. Teria que enfrentar seus demônios na esperança de libertar-se, mesmo sabendo que eles estariam sempre por perto. Infelizmente, seu maior conhecimento não estaria simplesmente exposto na alternativa "A". E quem se importaria?
  De repente, ela era uma peça mal encaixada. De repente, ela teria que se encaixar. E não mais que de repente, lembrou-se das palavras de uma das pessoas mais inteligentes que já conheceu: "Mas, veja bem, isto não é o fim do mundo".

Arrumou-se,
                   fez uma oração.
                                           Que óbvio...
                                                           Não era mesmo o fim do mundo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Verdademente

Por trás da roupa nova

Por trás do cabelo bonito

Por trás de todo o conhecimento

Por trás das vitrines, bares, lojas, apartamentos.

Por trás do tempero das comidas

Por trás dos diálogos proferidos ao ar

Por trás das leis, por entre os becos,

pairando acima do céu.

No fundo dos mares.

Embaixo do tapete,

escondida no bolso de trás.

Batendo junto ao martelo dos maceneiros,

encolhida no Planalto Central.

Por trás dos bons modos

Por trás das fotos nos porta-retratos

Por trás da bolsa de valores e por trás do carnaval.

Por trás da pornografia

Por trás das folhas de jornal

Por trás da tragédia de todos os dias e

no fundo dos olhos de cada pessoa insignificante:



A V E R D A D E  A C O N T E C E.