"De repente, ela era uma peça mal encaixada. De repente, ela teria que se encaixar." Um dia a moça acordou e percebeu. Eram sete horas da manhã. O início de um dia que decidiria o final de uma espera. Claro que havia muito o que fazer. Claro que a partir do momento em que ela se levantasse da cama, não teria mais volta. Ela teria que enfrentar. Preparada ou não, disposta ou não, feliz ou não. Deixou-se levar pelo vento e agora sofria as consequências do frio. Tinha medo. O fracasso está há algumas horas dali. O sucesso também. Um pouco de sorte ela tinha e talvez fosse esperta na hora certa. Conhecia alguns dos seus conhecimentos mal acabados. Por todas as expectativas jogadas sob sua cabeça, ela sentia o peso. E doía. Não era o medo do fracasso individual, era o medo do fracasso perante os outros. Ela queria, do fundo da alma, que o mundo enxergasse o que ela secretamente sempre soube. Teria que enfrentar seus demônios na esperança de libertar-se, mesmo sabendo que eles estariam sempre por perto. Infelizmente, seu maior conhecimento não estaria simplesmente exposto na alternativa "A". E quem se importaria?
De repente, ela era uma peça mal encaixada. De repente, ela teria que se encaixar. E não mais que de repente, lembrou-se das palavras de uma das pessoas mais inteligentes que já conheceu: "Mas, veja bem, isto não é o fim do mundo".
Arrumou-se,
fez uma oração.
Que óbvio...
Não era mesmo o fim do mundo.

