segunda-feira, 31 de maio de 2010

Sem Destinatário

O dia arrastava-se preguiçosamente. Ela estava só e já havia se cansado de ler o livro que há tempos não conseguia terminar. Enquanto mastigava qualquer besteira industrializada, corria os olhos em busca de algum papel. Foi quando viu um pedaço de folha semi-recortada, e antes que pudesse pensar em desenhar barcos ou assinar seu nome repetidas vezes, ela escreveu palavras que saíram apressadas:

"Não é uma questão de saber por quanto tempo continuaremos juntos. Talvez amanhã encontremos motivos para que não dê certo, ou talvez sentiremos como se tudo fosse pra sempre. Mas não dizem por aí que o pra sempre sempre acaba? E se ele sempre acaba, por que não aproveitar o tempo que nos é dado? Eu quero o tempo necessário para que você possa levar algo bom de mim, algo que você realmente tenha aprendido e que te faça ser alguém melhor do que já é. E que fiquem as conversas, os beijos, os dias felizes e os sorrisos eternizados em seus momentos. Ninguém pode nos roubar o que já vivemos, e essa é a única certeza que podemos ter. Então iremos rumo ao pra sempre, mesmo que ele possa não existir. Seguiremos juntos, enquanto estivermos juntos para seguir. Pouco importa a eternidade se o importante mesmo é o caminho que nos leva a ela. Vamos nos fazendo felizes enquanto o tempo nos permitir..."

Nenhum comentário:

Postar um comentário