domingo, 26 de junho de 2011

O Presente

   Não senhor, não sou perfeita. De onde tirou essa ideia? Não sabe dos pecados que cometi, das precipitações e erros que pesam sob meus ombros? Não soube das várias pessoas que fui até encontrar a pessoa que sou? E então você me quer, vestida de mal-feitos, repleta de defeitos, o oposto do perfeito? Então você me quer. E como posso me acostumar a isso? Como posso, se quando olho em seus olhos, minha alma se emociona? Como posso me acostumar, se todos os seus atos me fascinam? Se te admiro, se me sinto extremamente feliz ao seu lado, se quero a sua alma, se amo o seu gosto? É possível me acostumar com o respeito, a gentileza, o toque, a fala e o sorriso? O tempo, a rotina... nada disso interessa. Cada pedaço de você sempre me surpreenderá,  seus carinhos sempre me provocarão arrepios,  o tom da sua voz sempre embalará minha paz. O fato é que algumas pessoas entram em nossas vidas sem aviso prévio, pessoas que nos mudam, nos marcam, nos despertam sentimentos raros e é inútil voltar atrás, é inútil buscar válvulas de escape quando há uma bem ali, dentro daqueles mesmos olhos que desordenam seus pensamentos. De agora em diante, pouco me importa os olhos que me acusam ou os indicadores que me julgam. Pouco me importa as incertezas do futuro e o medo iminente de errar. Foi preciso relutar algumas vezes, tropeçar em meus próprios pés e mergulhar em atos impensados, para entender o que sinto de verdade.
  E o que sinto é lindo, é vasto, vai durar...     

                          
=)

Ladrão de Palavras

Quem escreve abertamente sabe como as palavras tem o dom de denunciar e, mesmo que sem querer, deixam transparecer resquícios da personalidade ou estado de espírito de quem as escreve. Um bom escritor, no meu ponto de vista, é aquele que, além de dominar as palavras, deixa-se dominar por elas e prontifica-se a arriscar-se a ponto de comprometer-se. Tão fascinante quanto um bom jogo de palavras, agrada-me também aqueles textos escancarados, sem vergonha e com verdade. O texto capaz de transmitir suas ideias literalmente, desvinculando-se de entrelinhas e termos subentendidos: esfrega o real sentido da palavra sem precisar de disfarces ou palavras imponentes que o faça parecer mais elegante. Quem escreve sabe como é boa a sensação de libertar-se de pensamentos acumulados e vê-los dispostos harmoniosamente no papel, observando as palavras enfileiradas e dependentes umas das outras, como se aquela fosse a sequência perfeita de uma parte do seu próprio ser. Talvez por gostar tanto de palavras grafadas, comovo-me mais com a escrita que com a fala. Falar é facil, na maioria das vezes um ato impensado. Falar não requer sentimento. Fala-se e joga-se palavras que desaparecem com o vento e não voltam nunca mais. Escrever requer sensibilidade, tato. Exige do escritor o sentido aguçado da criatividade e da experiência. Criatividade para capturar palavras soltas e agrupá-las, dando a elas um sentido completo. Experiência no sentido de experimentar, saborear e eternizar momentos e sensações, mesmo que eles não tenham sido vividas por quem os relata. Sendo assim, escrevo. Escrevo e viajo em meus pensamentos, valido meus delírios, invento mil verdades. E, enquanto ainda sentir vontade, continuarei escrevendo com a alma e roubando a alma de outros...