Meia noite e quarenta. A janela semi-aberta do quarto sopra um vento fino, batendo levemente sob as persianas pretas. Se estivesse em casa, talvez iria na cozinha procurar algo pra comer. Posso ouvir a televisao conversar baixinho e um carro que passa pela rua com um som alto, tao velozmente que nao fui capaz de identificar a musica. Ouco tambem dois velhinhos roncando no quarto ao lado. Nao me incomodo com o barulho, porque sei que encontram a paz enquanto dormem e, merecidamente, suas decadas de vida precisam descansar um tempo. Sei que preciso dormir, logo alguem se incomodara com a lampada que deixei ligada por medo do escuro. Acontece que hoje vi um filme de terror, e lembro-me bem de ter dito na hora: `nao me incomodo se nao conseguir dormir a noite, eu dou um jeito`. Certamente o argumento pareceu-me cabivel naquele momento. Enquanto nao durmo, penso. O pensamento me atrapalha seriamente quando vou dormir e meu sono precisa ser persistente para vence-lo aos poucos. Ouco mais roncos. Por um momento pensei em contar a historia do filme, mas isso me traria pesadelos depois. Prefiro citar apenas o nome, para quem quiser assistir qualquer dia (nao assista a noite): REC.
Agora a pouco tentei mudar o canal da TV e acabei aumentando o volume. Acho que tenho um serio problema com controles de televisao, eles nunca me obedecem. Espero que ninguem tenha acordado. Eu realmente preciso dormir, apesar de que o quarto pra onde vou nao tem televisao e nenhum outro meio para fixar-me a realidade. Estaremos eu e a minha enorme capacidade de imaginar babaquices. Amanha, (na verdade hoje) quando acordar, tenho certeza que rirei disso. Eh melhor eu ir, sao uma e cinco da manha. Boa noite.
(Nao consegui encontrar acentos neste computador e a c cedilha esta quebrada. Contente-se.)
Eu adoro seus textos.
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