A noite estava calma. Era possível ouvir a chuva caindo fina e o vento soprando leve, formando a música que descansava o meu espírito enquanto a rede balançava no mesmo ritmo. Era impossível resistir à tentação de fechar meus olhos e concentrar meus pensamentos em um lugar distante, bem longe dali.
Transportei-me para onde o instinto me mandava ir. A sincronia entre o vento e a chuva continuava lá, mas eu não estava mais sozinho. Pude perceber a Lua sendo substituída por um dia nublado, com uns poucos raios de Sol e a brisa fria, contradizendo nossas roupas de verão. Eu estava deitado, com os braços esticados e as mãos por trás da cabeça, tentando suprir a falta de um travesseiro. Nada me incomodaria ali, principalmente porque a pessoa na qual eu queria estava deitada embaixo da maior árvore, sob a grama verde e olhando em minha direção enquanto eu olhava para o céu. Estávamos ali, um ao lado do outro, compartilhando o mesmo silêncio. Quando resolvíamos conversar, ela ria sempre do que eu falava e fazia questão de repetir o quanto era engraçado. E eu escutava suas histórias que relatavam sonhos de noites passadas, prestando muita atenção, não ao que ela dizia, mas o jeito com que falava. Então confirmei o que já sabia há tempos: ela era a única pessoa que poderia me fazer sentir completo.
O som da sua voz era tão real que me recusei a acreditar que era apenas a minha imaginação. Não poderia ser, ou melhor, eu não queria que fosse. Assustei-me com o barulho de um trovão e abri os olhos. Levantei-me e sentei na rede. A chuva havia engrossado e era preciso entrar em casa, mas meu corpo não se movia. Eu estava preso ao meu sonho e quase podia ouvir os passos dela caminhando pela varanda com seus chinelos de borracha. Meus sentidos insistiam em tentar me enganar, mas eu sabia que ela não estava aqui. Deixei que as gotas frias de chuva percorressem meu corpo, enquanto sussurrava o pensamento que me atormentava todos os dias desde que ela se foi: "Deus a roubou de mim e levou consigo minha alma".
"(...) Deixei que as gotas frias de chuva percorressem meu corpo, enquanto sussurrava o pensamento que me atormentava todos os dias desde que ela se foi (...)"
ResponderExcluirPerfeito