domingo, 26 de junho de 2011

Ladrão de Palavras

Quem escreve abertamente sabe como as palavras tem o dom de denunciar e, mesmo que sem querer, deixam transparecer resquícios da personalidade ou estado de espírito de quem as escreve. Um bom escritor, no meu ponto de vista, é aquele que, além de dominar as palavras, deixa-se dominar por elas e prontifica-se a arriscar-se a ponto de comprometer-se. Tão fascinante quanto um bom jogo de palavras, agrada-me também aqueles textos escancarados, sem vergonha e com verdade. O texto capaz de transmitir suas ideias literalmente, desvinculando-se de entrelinhas e termos subentendidos: esfrega o real sentido da palavra sem precisar de disfarces ou palavras imponentes que o faça parecer mais elegante. Quem escreve sabe como é boa a sensação de libertar-se de pensamentos acumulados e vê-los dispostos harmoniosamente no papel, observando as palavras enfileiradas e dependentes umas das outras, como se aquela fosse a sequência perfeita de uma parte do seu próprio ser. Talvez por gostar tanto de palavras grafadas, comovo-me mais com a escrita que com a fala. Falar é facil, na maioria das vezes um ato impensado. Falar não requer sentimento. Fala-se e joga-se palavras que desaparecem com o vento e não voltam nunca mais. Escrever requer sensibilidade, tato. Exige do escritor o sentido aguçado da criatividade e da experiência. Criatividade para capturar palavras soltas e agrupá-las, dando a elas um sentido completo. Experiência no sentido de experimentar, saborear e eternizar momentos e sensações, mesmo que eles não tenham sido vividas por quem os relata. Sendo assim, escrevo. Escrevo e viajo em meus pensamentos, valido meus delírios, invento mil verdades. E, enquanto ainda sentir vontade, continuarei escrevendo com a alma e roubando a alma de outros...

3 comentários:

  1. ainda bem que atualizou né?
    MUITO MUITO booooom seu texto! *-*

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  2. Oi Nanda!

    Esse texto é simplesmente perfeito! Descreve exatamente o que sinto quando aparece a inspiração... seja num momento de alegria, infelicidade, ou naqueles corriqueiros, em que se escreve apenas para sentir-se realizado (claro, isso cabe apenas àqueles que gostam e praticam essa riquíssima forma de expressão).
    Confesso que sempre tive esse hábito, mas nunca mostrei textos meus para ninguém... Muitos deles, nem sei mesmo onde guardei... Escrevo só para mim. Não tenho coragem de divulgar!

    Parabéns pelo blog!

    Saudades de você!
    Paulinha (namorada do Luiz) =)

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