domingo, 25 de abril de 2010
Por Educação
Por ela ser educada, o trataria muito bem sempre que o visse. Mostraria-lhe um sorriso e falaria algumas besteiras sobre o tempo. Talvez até o convidasse para entrar, mesmo sabendo que ele recusaria. Quando percebesse que o assunto ia-se embora, perguntaria sobre a família ou contaria um caso cotidiano, sem maldades. Maldosa estaria a mente dele, que, desde o primeiro momento, pensaria: 'ela ainda sofre por mim'. Então ele retribuiria toda a gentileza dela com uma pose convencida e um sorriso de quem conta vantagem. É claro que ela saberia que seria mal interpretada, mas não ligaria: o que ele pensa seria só o que ele pensa, e mais nada. Por educação, ela levaria a conversa até o momento em que ele olhasse no relógio e dissesse que havia um compromisso importantíssimo e que precisaria ir embora. Naquele momento ela olharia em direção aos olhos dele e pensaria sobre o quanto uma pessoa pode mudar a ponto de esquecer-se de quem é. Ele adivinharia os pensamentos dela e vagamente observaria a calçada, sem dizer nada. Depois de se despedirem, ela diria para que ele não sumisse, não porque gostaria que ele reaparecesse do nada em sua vida, ou porque gostasse dele, ou porque o quisesse. Não. Ela falaria por educação. Então ela voltaria pra casa sem observá-lo dobrar a esquina e subiria as escadas em passos firmes. Deitaria no sofá e pegaria um livro qualquer para ler, sem dramas. Ficaria ali, entre uma página e outra, correndo os olhos sobre as letras sem prestar atenção nelas, desejando secretamente nunca mais ter que encontrá-lo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Eu sei de quem o texto se trata. hohoho!
ResponderExcluirMuito bonito, Nanda!
ResponderExcluirLindo Maria :)
ResponderExcluirPerfeito! Assim como tudo que vem de você...
ResponderExcluirAmanda
Muito lindo..
ResponderExcluirinspirador! rsrsrs
bjs linda!